Visão geral das leucemias: O que são, quais os tipos, quais os sintomas e tratamentos

Hoje vamos te proporcionar uma visão geral das “Leucemias”, abordando os seguintes pontos:
- O que são leucemias?
- Quais os tipos de leucemias?
- Quais os fatores de risco?
- Quais os sinais e sintomas?
- Quando suspeitar e como diagnosticar?
- Quais os tratamentos disponíveis?
- Qual a expectativa de vida de uma pessoa com leucemia?
O que são leucemias?
Leucemias são doenças malignas (cânceres) com origem nas células tronco hematopoiéticas da medula óssea – a fábrica do sangue.
Normalmente, os glóbulos brancos são afetados e ocorre uma proliferação desordenada e um acúmulo excessivo de células doentes na medula óssea, prejudicando a função desta e a produção de células sanguíneas normais.
Quais os tipos de leucemia?
Dividimos as leucemias de duas formas: de acordo com o tipo de célula acometida, e de acordo com o comportamento clínico/agressividade.
– De acordo com o tipo de célula acometida: As células doentes da leucemia são os glóbulos brancos produzidos na medula óssea. Quando a leucemia tem origem em um subtipo de glóbulo branco chamado linfócito, temos as leucemias linfoides. Quando a origem é em glóbulos brancos do tipo mieloides, temos as leucemias mieloides.
– De acordo com o comportamento clínico/agressividade: aguda ou crônica. As leucemias agudas se desenvolvem e progridem rapidamente – a medula óssea doente passa a produzir glóbulos brancos imaturos (chamados blastos) em excesso, não conseguindo realizar suas funções normais. As leucemias crônicas, por outro lado, se desenvolvem de modo insidioso – a medula óssea doente produz células anômalas maduras, que ainda exercem parte de suas funções habituais.
Assim, há 4 tipos principais de leucemia – leucemia mieloide aguda (LMA), leucemia linfoide aguda (LLA), leucemia mieloide crônica (LMC) e leucemia linfocítica crônica (LLC).
A LLA é o tipo mais comum de leucemia em crianças, adolescentes e adultos jovens. Já a LMA ocorre principalmente em adultos, com média de idade > 65 anos. A LLC é a leucemia crônica mais comum em adultos, também acometendo principalmente idosos.
Há ainda tipos menos comuns de leucemia como: leucemia de células pilosas, leucemia neutrofílica crônica, leucemia mieloide crônica atípica, leucemia mielomonocítica juvenil, entre outras.
Quais os fatores de risco?
Na maior parte dos casos de leucemia, ainda não está claro o que causa as alterações genéticas nas células tronco hematopoiéticas.
Há, no entanto, alguns fatores de risco conhecidos, que podem estar associados a alguns casos de leucemia, principalmente agudas, tais como:
- exposição prévia à radiação e produtos químicos como solventes;
- agrotóxicos e benzeno;
- história de quimioterapia prévia;
- doenças hematológicas como síndrome mielodisplásica, policitemia vera, mielofibrose, entre outras;
- síndromes genéticas como por exemplo Síndrome de Down.
No caso da LLC, poucos fatores têm sido associados a um aumento no risco de desenvolvimento da doença. Idade avançada e história familiar parecem estar relacionados; a exposição a produtos químicos ainda é algo controverso. Em LMC, a idade avançada e a exposição à radiação parecem aumentar o risco de desenvolver a doença.
Quais os sinais e sintomas?
Nas leucemias agudas, os principais sintomas decorrem do acúmulo de células doentes na medula óssea, prejudicando ou impedindo a produção das células sanguíneas normais. A diminuição dos glóbulos vermelhos ocasiona anemia, cujos sintomas incluem: fadiga, indisposição, baixa tolerância aos esforços, tontura, entre outros.
A redução de glóbulos brancos normais provoca baixa da imunidade, com maior susceptibilidade a infecções. A diminuição das plaquetas pode ocasionar sangramentos, sendo os mais comuns das gengivas e nariz, além do aparecimento de manchas roxas (equimoses) na pele. Ainda, outros sintomas que podem aparecer são: febre, dores ósseas, perda de peso não intencional, aumento de gânglios e baço.
Nas leucemias crônicas, não é incomum que o paciente seja totalmente assintomático e a doença seja descoberta através de alterações do hemograma. No caso da LLC, quando causa sintomas, os mais comuns são: fadiga, percepção de aumento de gânglios no pescoço, axilas ou virilhas, infecções de repetição, febre, sudorese noturna e perda de peso. No caso da LMC, também pode haver fadiga e perda ponderal, além de aumento de volume abdominal devido ao aumento do baço.
Quando suspeitar e como diagnosticar?
Diante da suspeita de uma leucemia, seja por alterações em exames como hemograma ou pela presença de sintomas sugestivos, deve-se prosseguir com uma investigação específica com exames complementares, preferencialmente com um médico especialista – o hematologista.
Inicialmente, um hemograma completo e a análise de um esfregaço de sangue periférico (em que as células do sangue são analisadas por microscopia) já podem sugerir que se está de fato frente a uma possível leucemia.
Em casos de leucemias agudas e LMC, normalmente são necessários exames específicos da medula óssea para confirmação diagnóstica. Os principais exames que avaliam a medula óssea são o mielograma e a biópsia de medula óssea, além de outros mais específicos como imunofenotipagem, cariótipo e pesquisas moleculares.
Em casos de suspeita de LLC, não é necessário exame da medula óssea. Imunofenotipagem de sangue periférico e exames de imagem costumam ser suficientes para o diagnóstico.
Quais os tratamentos disponíveis?
O tratamento das leucemias é bastante variável, de acordo com o tipo de leucemia, a idade do paciente e outros problemas de saúde que este paciente apresente. As principais modalidades de tratamento utilizadas são:
- Quimioterapia;
- Imunoterapia;
- Drogas-alvo;
- Transplante de medula óssea;
Casos de leucemia aguda, seja LMA ou LLA, exigem tratamento imediato visto sua agressividade e gravidade. A maioria dos casos é tratada com esquemas de quimioterapia, sendo o transplante de medula óssea indicado nos casos de alto risco genético ou para pacientes que não respondem ou recaem após um primeiro tratamento.
Pacientes com LMC normalmente são tratados apenas com medicações orais – drogas-alvo chamadas inibidores de tirosina-quinases, que atuam contra a alteração genética sempre presente nesta doença. O tratamento costuma ser bem sucedido, sendo a medicação mantida na maior parte dos casos indefinidamente.
Pacientes com LLC que sejam assintomáticos, com baixa carga de doença e comportamento bastante lento podem não precisar de tratamento, ao menos inicialmente. Nestes casos é adotada uma conduta expectante e o paciente é acompanhado clinicamente em intervalos regulares. Quando necessário tratamento, esquemas de imunoterapia com ou sem quimioterapia costumam ser utilizados.
Qual a expectativa de vida de uma pessoa com leucemia?
A taxa de sucesso do tratamento das leucemias varia de acordo com o tipo, o estágio em que a doença se encontra, a idade do paciente e a sua tolerância a tratamentos mais ou menos intensivos.
Leucemias crônicas costumam ter um prognóstico melhor. De acordo com dados americanos, estima-se que a taxa de sobrevida em 5 anos para pacientes com LLC de todas as idades seja ao redor de 87%. Em pacientes com LMC, a estimativa em 5 anos é ao redor de 70%.
Leucemias agudas, por outro lado, costumam ter um prognóstico inferior, especialmente em idosos. A exceção são casos de LLA em crianças e adultos jovens, que normalmente apresentam bons resultados com os tratamentos atuais.

INFORMAÇÕES DO AUTOR:
Dra. Aliana Ferreira Especialista em onco-hematologia e transplante de medula óssea.Médica formada pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Fez residência médica em Clínica Médica pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), em Hematologia e Hemoterapia pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e em Onco-hematologia e Transplante de medula óssea pelo Hospital Sírio Libanês.
CRM-SP nº 158591