Doador voluntário de medula óssea: quais os critérios e como funciona a doação?

Quem pode se tornar um doador voluntário de medula óssea?
Para ser doador de medula óssea é necessário:
- Ter entre 18 e 35 anos;
- Estar com um estado de saúde geral adequado;
- Não ter doença infecciosa ou incapacitante, doença hematológica, neoplásica ou relacionada ao sistema imune;
Caso todos estes critérios sejam preenchidos, é necessário procurar um Hemocentro para realizar o cadastro no REDOME. Neste cadastro, é preenchido um formulário com informações pessoais, é assinado um termo de consentimento livre e esclarecido e é retirado uma pequena quantidade de sangue (ao redor de 10ml) do candidato a doador para testes genéticos.
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Após o cadastro no REDOME, qual o próximo passo para se tornar um doador de medula óssea ?
O sangue coletado no momento do cadastro é analisado quanto ao exame de histocompatibilidade (HLA) – uma vez os resultados estando prontos, os seus dados e a sua tipagem HLA serão cadastrados em um sistema eletrônico.
Sempre que um paciente precisar de um doador voluntário de medula óssea, o médico deste paciente irá cadastra-lo no REREME (Registro Nacional de Receptores de Medula Óssea). Os dados genéticos dele serão cruzados com todos os potenciais doadores cadastrados no REDOME.
Quando houver um paciente e doador com compatibilidade semelhantes, este doador será consultado quanto a seguir com o processo de doação de medula óssea. Em caso afirmativo, o doador será convocado para uma avaliação clínica e novos exames para confirmar a compatibilidade.
Após todas essas etapas, o doador será considerado apto para doação.
Há 2 formas de doação: medula óssea propriamente dita e sangue periférico
As células tronco hematopoiéticas – produto que precisa ser obtido dos doadores para posteriormente ser infundido no paciente (receptor) se localizam naturalmente no interior dos ossos.
A forma mais tradicional de coleta de medula óssea (ou células tronco-hematopoiéticas) é retirar diretamente do osso da bacia através de múltiplas punções. Neste caso, o doador é submetido ao procedimento em centro cirúrgico, sob anestesia geral.
Há, também, a possibilidade de coletar estas células tronco hematopoiéticas através de um processo chamado aférese. Neste caso, é realizada uma medicação no doador por 5 dias a fim de estimular que as células tronco saiam da medula óssea e passem a circular no sangue. Através de uma máquina de aférese, é possível processar o sangue diretamente da veia do doador e separar as células tronco enquanto os demais elementos sanguíneos retornam ao doador.
A decisão entre as 2 formas é resultado de uma avaliação da doença que busca ser tratada, e características do receptor e doador.
Para quais situações o transplante é utilizado como tratamento?
Em algumas doenças hematológicas como as leucemias, mielodisplasias, mieloma múltiplo, anemias graves, entre outras, ocorre um dano às células-tronco hematopoiéticas da medula óssea, de modo que as células do sangue passem a ser doentes e não funcionem adequadamente.
Nestes casos, pode ser indicado um transplante de medula óssea (ou mais corretamente falando, transplante de células tronco hematopoiéticas), o qual consiste em um procedimento terapêutico visando a substituição de células tronco doentes por células-tronco saudáveis provenientes de um doador.
Dra. Aliana Ferreira
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INFORMAÇÕES DO AUTOR:
Dra. Aliana Ferreira Especialista em onco-hematologia e transplante de medula óssea.Médica formada pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Fez residência médica em Clínica Médica pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), em Hematologia e Hemoterapia pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e em Onco-hematologia e Transplante de medula óssea pelo Hospital Sírio Libanês.
CRM-SP nº 158591